Análise de Mia Vradya sto Louki

Adelfoi Katsimihas

Iniciamos esta série de análises de canções gregas no nosso blog com uma das composições mais legais que conheço.

Mia Vradya sto Louki (Uma noite no Lucky) é uma canção dos Irmãos Katsimihas (Panos e Haris Katsimihas) que chegou aos ouvidos do público em 1982. Na época os irmãos participaram de um concurso musical organizado pelo grande Manos Hatzidakis em Corfu. Desse concurso eles saíram vitoriosos com uma canção pra lá de irreverente.

 

A letra

Mia Vradya sto Louki narra de maneira muito engraçada a falta de sorte de um tipo chamado Haris num bar em Thessaloniki, o “Lucky Louk”, daí o nome da canção. Nosso amigo desafortunado está acompanhado de seu colega, Nikolas. Os dois bebem numa mesa do bar quando, de repente, surgem dois olhinhos que chamam a atenção de Haris.

Num rápido movimento de olhos, os dois colegas planejam mentalmente o “ataque”. Mas a presa parece ser dura e nosso heroi Haris terá que usar todo o tipo de artifício para conquistar a vitória. O primeiro deles é tentar “magnetizar” a garota pelo olhar, um suposto truque que exige muita destreza e ensinam a praticar lá na Índia. Primeira tentativa, primeira falha. Placar de 1 para a caça e 0 para o caçador. A bela dama não dá a mínima atenção, continuando alheia à existência do coitado e de seu ajudante…

Porém, resta uma esperança quando ela, finalmente, começa a olhar em direção à mesa do nosso conquistador. Será um efeito retardado da mágica indiana?

Só que não…

Σε μια στιγμή το βλέμμα της πλανήθηκε στο χώρο
κι απάνω μου σταμάτησε σαν κάτι να ζητούσε
ταράχτηκα και σκέφτηκα, Θεέ μου, εμένανε κοιτάει
όμως εκείνη κοίταγε να βρει τον σερβιτόρο

Num momento o olhar dela começou a vagar
E parou em cima de mim como se procurasse alguma coisa
Fiquei inquieto e pensei “Meu Deus, ela está olhando pra mim”
Mas ela queria ver se achava o garçom (!!!!!!!)

Alguém ajude nosso heroi, pois deste jeito ele vai acabar pirando! Ele morrendo por ela e ela nem sequer sabe que ele existe… E é nessa hora que ele deseja se transformar em coisas como a brisa ou a fumaça de cigarro, só para chegar mais pertinho, mergulhar dentro dela, mesmo que ela não queira:

αχ, να ‘μουνα αεράκι, καπνός από τσιγάρο (Ah, se ao menos eu fosse brisa, fumaça de cigarro)
στα στήθια της να μπαίνω και κείνη ας μη με θέλει (para entrar no peito dela, mesmo que ela não quisesse)

Aprendendo grego

Esta música tem um vocabulário bem rico. O que eu acho mais interessante nela é a maneira despojada na qual foi escrita, com um conteúdo gramatical bem informal. Não poderia ser diferente para uma canção que se propõe a narrar a troca de conversas entre dois amigos numa mesa de bar.

O meu amigo

Ali na primeira estrofe encontramos a expressão ο τύπος μου (o typos mou), uma maneira bem informal de se referir a uma pessoa, nesse caso ao colega, ao companheiro, ao amigo. Essa construção é equivalente a ο δικός μου (o dikos mou. Literalmente = o meu), que encontramos no mesmo verso da letra:

γυρίζω στον δικό μου, ο τύπος μου, Νικόλα (me volto para meu amigo, meu companheiro, o Nikolas).

e também a κολλητός, que encontramos no primeiro verso:

Προχτές εκεί που τα `πινα με κάποιο κολλητό μου (Antes de ontem, enquanto eu bebia com meu camarada).

A forma menos coloquial vamos encontrar apenas na terceira estrofe com ο φίλος (o filos):

ο φίλος μου εγκρίνιαζε, βρε Χάρη, σου μιλάω (meu amigo resmungava “Haris, estou falando com você”)

Os momentos

Uma coisa que me chama a atenção na língua grega moderna são as diversas formas de se referir ao tempo. Eu estou sempre procurando prestar atenção nessas construções para internalizá-las. A palavra όταν (otan) significa “quando”, mas não é a única capaz de exprimir isso. Por tal razão, saber usar outras formas léxicas para se referir à mesma ideia enriquece o vocabulário.

Logo no primeiro verso encontramos εκεί που (ekei pou), que significa “enquanto, quando, no momento em que, onde”.

Προχτές εκεί που τα `πινα με κάποιο κολλητό μου (Anteontem, quando eu bebia com meu camarada)

E no último verso encontramos o advérbio σαν (san), que na maioria dos casos significa “como”, mas que pode também assumir o sentido de “quando”. Acho esse tipo de construção muito bonito na língua:

σαν τρέμει το κορμάκι της και σαν λιγοθυμάει (quando o corpinho dela treme e quando ela perde os sentidos)

 

É isso! Espero que tenham gostado. Abaixo segue a letra completa da música. Se você ainda não sabe ler grego, recomendo dar uma lida nesta nossa página.

Caso tenham alguma dúvida ou queiram falar algo mais sobre a música que eu não falei aqui, sinta-se à vontade para deixar um comentário! Até a próxima análise.

 

Προχτές εκεί που τα `πινα με κάποιο κολλητό μου
κοιτώ και βλέπω πίσω μου δυο μάτια δυο ματάκια
γυρίζω στον δικό μου, ο τύπος μου, Νικόλα
και μένα, μ’ απαντάει, και εκεί αρχίσαν όλα

Εγώ αυτοσυγκεντρώθηκα για να τη μαγνητίσω
αυτά είναι κόλπα ζόρικα που κάνουν στην Ινδία
αλήθεια σας το λέω, απότυχα τελείως
δε μου `δινε καμία, μα καμία σημασία.

Όπως καταλαβαίνετε δε μ’ έπαιρνε καθόλου
αλλά εξακολούθησα ερήμην να κοιτάω
ο φίλος μου εγκρίνιαζε, βρε Χάρη, σου μιλάω
για πες μου, σε κοιτάει; καθόλου τ’ απαντάω

Σε μια στιγμή το βλέμμα της πλανήθηκε στο χώρο
κι απάνω μου σταμάτησε σαν κάτι να ζητούσε
ταράχτηκα και σκέφτηκα, Θεέ μου, εμένανε κοιτάει
όμως εκείνη κοίταγε να βρει τον σερβιτόρο

Βοήθεια, Χριστιανοί, κοντεύω να φλιπάρω
εγώ για κείνη χάνομαι και κείνη ούτε με ξέρει
αχ, να `μουνα αεράκι, καπνός από τσιγάρο
στα στήθια της να μπαίνω και κείνη ας μη με θέλει

Βοήθεια, Χριστιανοί, κοντεύω να φλιπάρω
ζηλεύω όποιον της μιλά και όποιον την κοιτάει
μα πιο πολύ ζηλεύω εκείνον π’ αγαπάει
σαν τρέμει το κορμάκι της και σαν λιγοθυμάει

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